Guia do Mochileiro das Galáxias: Uma análise cômica da humanidade

42 e poucos motivos para apreciar o guia mais irônico das galáxias


"Se os seres humanos não ficarem constantemente exercitando seus lábios - pensou ele -, eles seus cérebros começam a funcionar"

O primeiro livro da famosa triologia de cinco livros de Douglas Adams, traz à tona, de forma satirizada, os bizarros aspectos do comportamento humano, que vão desde a organização política a pequenos hábitos cotidianos. E nesse misto de criticas ocultas, até a religião é posta em questão. A ficção científica nunca foi tão abrangente.


Considerada uma genial ridicularização disfarçada da humanidade, a obra é aparentemente simples e engraçada, contudo, traz grandes questionamentos filosóficos. Além de, nos esclarecer, a grande importância das toalhas para um bom mochileiro espacial.

Arthur Dent, protagonista da história, começa tentando impedir que sua casa seja demolida pelo governo, e acaba tendo, seu planeta demolido por Vogons (alienígenas péssimos em poesia). Motivo? A construção de uma via expressa galática. Mas cá entre nós, a destruição da Terra não significou muita coisa, já que a mesma é descrita no Guia como Inofensiva, digo, Praticamente Inofensiva. Ou seja, nosso pequeno planeta é visto de forma insignificante. Uma poeirinha azul na galáxia. 

Uma crítica muito presente no livro é à burocracia: “Frota de Construção Vogon. Você quer pegar uma carona com Vogons? Pode desistir. Trata-se de uma das raças mais desagradáveis da Galáxia. Não chegam a ser malévolos, mas são mal-humorados, burocráticos, intrometidos e insensíveis. Seriam incapazes de levantar um dedo para salvarem suas próprias avós da Terrível Besta Voraz de Traal sem antes receberem ordens expressas através de um formulário em três vias, enviá-lo, devolvê-lo, pedi-lo de volta, perde-lo, encontra-lo de novo, abrir um inquérito a respeito, perde-lo de novo e finalmente deixa-lo três meses sob um monte de turfa, para depois recicla-lo como papel para acender fogo.” Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência.

Quanto a felicidade advinda das coisas materiais, Adams satiriza no trecho: “Este planeta tem – ou melhor, tinha – o seguinte problema: a maioria de seus habitantes estava quase sempre infeliz. Foram sugeridas muitas soluções para esse problema, mas a maior parte delas dizia respeito basicamente à movimentação de pequenos pedaços de papel colorido com números impressos, o que é curioso, já que no geral não era os tais pedaços de papel colorido que se sentiam infelizes.’’

A trama é recheada de situações inusitadas e improváveis que desencadeiam essas e muitas outras críticas a nós, seres humanos, mesmo através de alienígenas horrendos, criaturas bizarras, uma nave ultramoderna e um robô depressivo. E com o grande sucesso da trilogia, o primeiro livro da série, ganhou espaço no cinema no ano de 2005: 


 

P.S.: NÃO ENTRE EM PÂNICO
Por Carolina Oliveira

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