A vida no Oriente Médio após o ‘Estado Islâmico’: Opressão e brutalidade contra a população

Abaixo, imagens e informações exclusivas obtidas revelam como o grupo extremista “Estado Islâmico” controla a vida cotidiana dos que vivem em lugares liderados pelo grupo.


Com a queda da cidade (Monsul), veio à tona o veloz avanço dos militantes pelo norte do país, ação que forçou milhares de pessoas a abandonarem suas casas, querendo se refugiar dos conflitos.

Há também filmagens secretas do jornalista Ghadi Sary, da BBC, que exibem uma mesquita xiita sendo explodida, escolas abandonadas e mulheres sendo obrigadas a taparem seus corpos.

Os moradores que ainda sobraram nessa região relatam como é viver constantemente sob perseguição e com medo de serem punidos por desrespeitarem a rígida interpretação da lei islâmica pelo ‘EL’. Homens foram açoitados e suas mulheres punidas por estarem sem luvas.

Realizado ao longo de vários meses, os vídeos exibem como é o dia a dia sobre o controle dos militantes, destacando a exigência de que as mulheres não exibam seu corpo em público. O código de vestimenta das mesmas segue um padrão bem rígido. Dentre eles, cobrir-se de preto dos pés à cabeça. Se encontra em um dos vídeos uma mulher que foi repreendida por ter deixado suas mãos à mostra.

Há vários relatos e queixas dessas mulheres quanto ao modelo de sociedade do grupo extremista, dentre estes, os mais notáveis são o fato de terem que usar determinados tipos de roupas para andar em público, que custam um valor muita das vezes elevado. Não poderem mostrar suas faces para os maridos em restaurantes e parques, mesmo sem a presença de militantes, por serem alertados pelas pessoas. Homens serem proibidos de dirigir, humilhados e espancados por, muitas vezes, requererem seu direito. Casas confiscadas e marcadas com um N (que faz apologia aos cristãos).

As imagens secretas, que foram passadas de cidades em cidades e mandadas para fora do país, mostram como as minorias étnicas e religiosas em Monsul tiveram seus bens confiscados pelo ‘EL’. Muitas áreas residenciais antes habitadas por essas minorias atualmente se encontram fechadas e vazias.

Um caso isolado é o de uma parteira que realizava os partos de mulheres de diferentes grupos étnicos e religiosos, sem discriminá-las. Antes da captura de Monsul, ela ainda foi ameaçada e assediada por extremistas sunitas, no entanto, não parou com seu trabalho. Quando a cidade foi tomada, ela teve que fugir de Monsul, para não ser espancada ou até mesmo assassinada. Ao escapar para Irbill (cidade curda do Iraque), quando conseguiu ter contato com algum parente ou amigo de sua cidade, recebeu a notícia de que sua casa havia sido confiscada e marcada com a incógnita N (que significa nasrani, palavra usada pelos militantes para se referir a cristãos). Além disso, sua vasta biblioteca foi jogada na rua e queimada pelos militantes. 

Não só essas coisas ocorrem no Oriente Médio, e principalmente no Iraque, mas também muitas outras, umas até inimagináveis. No entanto, o que o povo se pergunta é quando isso irá acabar e quando poderão, então, seguir suas vidas normalmente e em paz. 

Eles cobram da ONU e do CS seus direitos enquanto cidadãos e apelam pelo fim dessa luta de horror, que não tem outro objetivo senão cruzar o canal religioso e político. Se sentem indignados e revoltados pela falta de segurança e afirmam que o único país que interfere nessa guerra de horror são os Estados Unidos.

Por Italo Medeiros
Revisão: Ana Maria

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