Entrevista com Marcos Magalhães: um dos diretores do Anima Mundi, aqui, no Intercultural News


Marcos Magalhães é um dos diretores do festival Anima Mundi, junto com Aída Queiroz, Cesar Coelho e Lea Zagury. Em entrevista ao Intercultural News, ele explica como surgiu o festival e também fala das suas expectativas para a próxima edição.




Como surgiu a ideia de criar o festival Anima Mundi? 
Bom... Isso foi a 23 anos atrás, por que nós quatro, os atuais diretores do festival, nós tínhamos trabalhado juntos em um acordo que houve entre Brasil e Canadá de 1985 a 1987, foi um curso feito pelo National Film Board que é o instituto nacional de filme do Canadá e a Embrasil que era a empresa brasileira de cinema, do governo e eu tinha viajado para o Canadá e tinha feito um filme chamado "Animundo" que ainda circula pelas escolas e eu fui chamado para organizar um curso de animação que seria o primeiro curso de animação no Brasil, a gente iria formar 10 animadores no Brasil inteiro, então eu viajei pelo Brasil todo e busquei pessoas que tinham talento, que tinham vontade de fazer animação e encontrei dez potenciais animadores em varias regiões, dentre esses, três eram os meus atuais companheiros do festival, a gente ficou junto durante dois anos, fazendo vários projetos, quando acabou o acordo a gente fez uns trabalhos juntos, filmes e em 1992 a gente achou que seria uma boa fazer um festival internacional, apesar da gente ter tido uma experiência muito intensa com animação, por causa desse acordo com o Canadá, o cenário aqui estava meio desanimado então eu já tinha ido a muitos festivais internacionais e meus outros colegas também, então falamos que iríamos fazer um festival desse no Brasil e escolhemos o nome "Anima Mundi" e fizemos a primeira edição em 1993. 

Para vocês, organizadores do evento, qual o significado do evento? O que ele representa?
Posso falar pelo significado da palavra, AnimaMundi significa em latim, "A Alma do Mundo" e também serve como uma abreviação de Animação Mundial, então ele representa inserir a animação que se faz no Brasil no resto do mundo, a gente tentar fazer através das imagens e movimento, que são a base da animação, a gente contar histórias, falar de mensagens, de pensamentos e isso era uma coisa que acontecia muito pouco aqui no Brasil na época que a gente começou o festival, a experiência que as pessoas tinham com animação era basicamente com desenho animado que é uma das técnicas da animação que eram os filmes do Walt Disney, séries de televisão que passavam que era na sua maioria americana, algumas poucas japonesas e a gente não via nada feito por brasileiros, muito pouco das coisas que já haviam sido feitas no Brasil, não circulavam, não eram mostradas, então a gente acho que no festival a gente podia fazer as duas coisas a gente podia trazer o que tinha de melhor na animação nacional e mostrar o que tinha sido feito no Brasil e ir incentivando novos animadores brasileiros a se formarem e a produzirem para gente criar um mercado de animação aqui no Brasil.


O que acham que mudou desde o primeiro AnimaMundi para o atual? 
Mudou muita coisa, são vinte e três anos, então meus cabelos estão mais brancos, o lado bom é que realmente a gente pode falar que temos um mercado de animação aqui no Brasil, que a gente tem uma industria que está se formando, a gente tem estúdios produzindo longas, que são reconhecidos lá fora, ganhando prémios internacionais, são distribuídos, séries de televisão que fazem sucesso na televisão aqui e no mundo, muita gente estudando animação, fazendo filmes super interessantes, filmes de autor, filmes artísticos, curtas-metragens, experiências, instalações artísticas, quer dizer, todo tipo de animação está sendo feita aqui no Brasil e esse era o objetivo do festival, era fazer com que isso começasse a acontecer.




Entre essas diferenças, o que você acha que continua igual? 
O que continua igual... É uma boa pergunta, continua a liberdade que o artista tem com a animação dd escolher primeiro uma historia e ele pode fazer pode fazer essa historia em uma diversidade de técnicas, ele pode fazer um desenho com lápis e papel ou ele pode até contratar atores e fazer quase um filme como se fosse um filme com atores de filmagem ao vivo, mas inserindo efeitos de animação, quer dizer, essa liberdade continua acontecendo, nesses 23 anos, aconteceu também, quase uma revolução tecnológica, a gente quase não tinha filmes feitos com computador, a computação gráfica era uma novidade nos primeiros anos e agora ela está totalmente presente na maioria dos filmes, então é muito mais fácil para alguém dominar a tecnologia, você tem um laptop ou até mesmo um celular é capaz de fazer um filme de animação, mas a liberdade de fazer coisas diferentes que nós tínhamos continua existindo da mesma forma que existia antes, a animação é uma linguagem muito rica, muito versátil e os filmes que foram feitos a um ano atrás ainda estão vivos, ainda fazem as pessoas darem risada, ainda fazem as pessoas se interessarem, como se fossem novos.


Alguma coisa a nos revelar sobre a próxima edição? 
A próxima edição? A gente vai fazendo o festival ano após ano, a gente quer que a próxima edição seja com atrações ainda mais interessantes do que as que tivemos este ano, a gente quer também que o festival esteja mais presente durante o ano todo em outras cidades do Brasil, que a gente faça outras versões do festival e que a gente continue um trabalho também que é muito importante que é o Anima Escola, que é um projeto que a gente faz que é de formar professores da rede pública para que eles usem animação nas escolas, para que os alunos tenham essa experiencia de animação não só para fazer filmes, não é uma aula de artes, ou uma aula de cinema, é usar a animação como se usa o quadro negro, "temos uma aula de historia? Vamos fazer um filme sobre este episódio histórico?" ou sobre uma matéria de ciências, que interpretação que a gente pode dar em animação para este assunto? A animação força a gente a buscar imagens criativas, a encontrar mensagens que não precisam de tanta explicação, a gente vê as coisas acontecendo, a gente pode fazer as coisas acontecerem, se a gente domina um pouco da tecnologia da animação e é uma forma excelente de se comunicar, de conversar e também de se trabalhar trabalhar junto, o processo de animação, acima de tudo, ele pode ser muito divertido e enriquecedor.




Esta foi mais uma entrevista para o Intercultural News feita por Italo Medeiros, com revisão de João Marcos.

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