Um professor brasileiro voluntário é um dos finalistas do concurso de melhor do mundo

O que você faria se tivesse US$ 1 milhão? Essa é uma das perguntas que frequentemente nos fazemos. Já Marcio Andrade Batista sabe a sua resposta, ele sonha com uma viagem. Porém, não para os destinos mais procurados pelos brasileiros, como Orlando ou Nova York.

Este professor paulista quer ir para o Acre, na verdade, especificamente para regiões do estado amazônico e seu objetivo é beneficiar esses lugares com a iniciação científica de seu projeto que visa crianças usando conhecimentos práticos de atividades rurais típicas. Antes de começar à realização de seu sonho precisa ‘fazer história’ no concurso Global Teacher Prize e conseguir a honra de se tornar o primeiro brasileiro a conquistar o denominado “Nobel de Educação”, entregue a “um professor excepcional que tenha feito uma contribuição extraordinária para a profissão”.

Batista é o único brasileiro na lista de 50 finalistas divulgadas na última quarta-feira (12/09) pela ONG Varkey Foundation, esta é a primeira vez em três anos, onde um representante do país é selecionado. O nome do vencedor será divulgado em março, durante um evento em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

Batista é doutorando em Engenharia pela Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) e trabalha como voluntário. Ele começou a dar aulas de Ciência e Sustentabilidade em 2010, depois de perceber que as escolas rurais de Mato Grosso tinham dificuldades em obter material de ensino e tecnológico. Em colaboração com a UFMT e o Senai, o professor desenvolveu um programa de iniciação científica em estabelecimentos de ensino.

A ideia surgiu durante uma visita à Juína, município que fica mais perto da Bolívia que das principais cidades brasileiras. Andrade viu na atividade extrativista do baru, um tipo de castanha comestível, uma chance de trabalhar a percepção dos alunos e das escolas locais.

"Basicamente, você pode comprar essa castanha por uma mixaria. Mas ela também oferece um potencial para se transformada em outros produtos. O que bastava era dar às crianças condições de imaginar isso", ele explica.

A metodologia baseada na aplicação das Ciências à vida cotidiana dos estudantes teve frutos inesperados: um dos alunos, Bianca de Oliveira, ficou em terceiro lugar na edição de 2012 do Prêmio Jovem Cientista, com um projeto de criação de farinhas integrais a partir do baru.

Foi a primeira vez em 26 anos que um representante do Mato Grosso foi agraciado. A menina recebeu o prêmio das mãos da presidente Dilma Rousseff.

"Em outra escola, desenvolvemos um projeto em que estudantes passaram a fazer pães e sorvetes com o soro do queijo produzido por pequenos produtores. Isso pode até ser usado na merenda escolar. Novamente, incentivamos os alunos a usarem a ciência em sua realidade. Eles são pequenos diamantes que só precisam de uma pequena polida. É muito melhor que apenas tentarmos ensinar Ciência tradicional na sala de aula. E estamos descobrindo maneiras de melhorar suas vidas", diz o professor.

O professor já tem troféus na estante e, recentemente, ganhou o Prêmio Novelis de Sustentabilidade, desenvolvendo um tipo de carregador de baterias de celular movido a energia solar e que pode ser acoplado a bicicletas.

O Global Teacher Prize foi criado em 2014, com o intuito de elevar o status da profissão do educador. "Buscamos celebrar os melhores professores, aqueles que inspiram seus alunos e a comunidade ao seu redor. A Fundação acredita que uma educação vibrante desperta e dá suporte a todo o potencial dos jovens. O status dos professores em nossas culturas é fundamental para nosso futuro global", diz o site.

A relação de finalistas do prêmio tem representantes de 29 países do mundo, que concorrem à premiação em dinheiro. A Varkey Foundation recebeu inscrições de professores de 148 países, mas os finalistas são de apenas 29 nações.

"Estou bastante honrado por estar nessa lista e espero que minha proposta convença os jurados. Se vencer, usarei o dinheiro do prêmio para poder percorrer o Centro-Oeste levando o projeto. Hoje eu faço tudo sozinho. Sem ganhar coisa alguma, apenas porque acredito que posso ajudar essas crianças a aproveitarem o potencial em volta delas", conta o professor.

Batista se inscreveu no Global Teacher Prize ao ler uma reportagem sobre a honraria. "É muito gratificante ver nosso esforço reconhecido. Despertar o interesse dos alunos para que eles entendam melhor o mundo em que vivem, não apenas o conhecimento mais tradicional passado em sala de aula. Isso é muito mais importante, socialmente, para a vida deles".

Batista foi premiado recentemente por desenvolver projeto de bateria solar para smartphones.

Aluna de Batista, Bianca de Oliveira recebeu prêmio de ciência das mãos da presidente Dilma Rousseff.

Matéria por Italo Medeiros, revisada por Aline Santos.

Fonte: BBC Brasil em Londres.



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