"Sobre Barcos, Meninos e Timoneiros" - João Marcos


Imerso na escuridão das palavras de ordem
Eu juro
Não me assusto nem quando macacos me mordem
Eu ainda não encontrei o meu caminho em meio a escuridão
O mar é para sempre o meu eterno vilão
De timoneiro
Hoje me conformo como imediato
Pois pra mim as melhores coisas da vida vem rápido
Com tantos tritões, arpões, desilusões
Eu ainda caminho de braços abertos em meio aos leões
Não sou Décimos
Mas certo sou Máximos
Minha caneta como uma espada
Escrevendo poemas como se degolasse cérebros fracos
E sem ninguém entender os emails que envio inteiros
Jogo tudo a bombordo com medo escanteio
E novamente me encaixo
Com aquelas ondas debaixo
Meu coração se acerta
Como impacto ao casco
Eu nunca quis ser diferente
Eu nunca soube ser igual
Indecisão no entanto
É sempre um erro fatal
Deixa o spoti de lado
Deixa seu back apagado
Vim te levar pra viajar sem você ter nada apertado
Caravelas que velam
Os corpos de cada velha lembrança
Que ficam sempre que eu zarpo da terra
Arriscar é meu forte
Só que meu fraco é perder
Deixo as lágrimas rolarem sem me arrepender
O tempo é construção
Nunca perdi nem ganhei
Suscitei Inquiétus
Depus e depois fui rei
Se eu serei tudo aquilo que esperam de mim?
Errado é quem espera
Eu só fiz porque vim
E se você tem emoção pra curar as feridas
Abra seu coração
Ouvir suas batidas
Eu vivo só de me perder e me achar
Eu sou timoneiro sempre dono do mar
Eu não sei se guio ou se vou por aí
Iço as velas
Solto o leme pra depois ver no que dá
No que dá? Nada
Se quiser paz, nada
Homem ao mar
Se tubarão pegar
Água gelada
"Impossível entender os seus passos na vida"
Desculpe, eu só estou procurando a saída
Esquece tudo que te ensinaram sobre monstros
Só lembre eles estão governando o povo
Gigante como um mamute
Alegoria me escute
Subversivo incerto e inerte
Talvez um pouco rude
É difícil
Mas vou mais alto do que o medo alcança
Tão enrolado que eu me embolo na minha trança
Tenho bastante seguidores
Só que ninguém pensa bem
Se pensassem iriam ver que não é pra seguir ninguém
Eu quero que você só tente se achar
Eu sou uma bússola no meio do mar
Eu só aponto pro que você quer ver
Mas nem sempre o querer é o você tem que pensar
Devaneios erráticos
Eu e problemas sintáticos
Sendo proparoxítono
Um ser sorumbático
Reticente frenquente
Contundente na mente
Revolucionário demais
Pra ajudar só meus entes
Falo de mim quando eu posso
Dos outros só quando eu devo
E quando penso e falo
Tranformo
Qualquer eco em evo
Entre palavras e vidas
Entre entradas e saídas
Remoto como controle
É o que me liga a Midas
Sem nove milímetros
Preferi armar meu espírito
E eles acham que podem acabar com meu afinco
Ninguém me entende
Não sei se posso culpá-los
Eu não vim com manual de Malaco-Mahalos
Todos ficam confusos
Mas eu não posso culpá-los
Eu não vim com instruções
Nem opções do usuário
Aloha fica ou vai
Eu só vivo a jornada
Em meio a tantos mares oceanos
Eu não fico com nada
Quebrada
Eu vim pra consertar
Mas meu concerto só começa quando o mundo quebrar
E por algum motivo sem explicação o mar novamente se enquietou e meus pensamentos se igualaram a pior das tempestades, as vaidades, sempre foram minha maior maldade, elas deixam as nuvens a beira e me fazem subir, mas rapidamente as nuvens se fecham novamente e elas me deixam cair e quando caí, percebi que eu deveria viver por mais que todos dissessem o contrário, não, não sou mercenário, nunca estive aqui pra receber salário, estou aqui pelo motivo que sempre estive e estarei pra sempre, fazer com que todos sobrevivam, assim como alguém um dia fez de mim o único sobrevivente.

Texto feito por João Marcos

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