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sexta-feira, 31 de março de 2017

Poeta...


O que faz uma pessoa ser chamada de “poeta” não é a qualidade ou quantidade de seus escritos, sejam eles de qualquer natureza ou diagramação, mas sim a sua habilidade em relatar o mundo de forma sensível, que foge de todas as realidades possíveis, sua intimidade com as palavras também conta, na hora de usá-las para fazer a mais fidedigna representação do que se pretende dizer, mostrar, declarar ou concretizar. As palavras, arrisco eu dizer, são as maiores intercessoras que um poeta pode ter, pois elas “colorem” o papel, do modo desejado por quem escreve, se dá como um artista e sua obra de arte.

Poeta é quem consulta a mente eventualmente e abre as portas do coração, deixando-o falar, por quanto tempo este quiser, relatando suas peripécias vividas ou as maiores aventuras que já passou, diz-se que é próprio do poeta se fazer de “psicólogo do coração”, pois todas as vezes que este mais precisa de atenção, cuidado e conselhos, está lá o poeta, sendo disponível. Agora, o nobre leitor deve estar se perguntando como o poeta ouve o coração, na verdade, isso é bem simples, toda vez que houver uma pessoa escrevendo, esta não está fazendo nada mais do que uma psicografia do coração.

Aqui, não sou eu que vos fala, poeta, e sim o coração que reside em meu peito, apenas estou mediando seu encontro com tal órgão. Então, se as palavras são intercessoras, o poeta lhe é somente mediador, tantos são os instrumentos de contato com a parte mais importante do corpo, responsável por nos trazer uma das melhores sensações da vida, o amor.

Mais do que qualquer outra definição, o poeta só é poeta, por ter em seus olhos, mágico talento, invejado por tantos amargurados escritores que é o de ver o mundo não como este é, mas como poderia ser, de modo mais puro, ingênuo, bonito, feliz e maravilhoso. Mediante isso, também vê o que há de mais belo e real nas pessoas, no ser humano, em si. O poeta olha além da carne e seus desejos, porque é superior a tudo isso, se maravilhando, assim, com a alma.

Também – o poeta – é chamado de clássico, banal ou ultrapassado, só por ser tão incompreendido, perante os avanços da sociedade contemporânea que possui muita tecnologia, porém, pouco amor e humanidade, de nada adianta se terem robôs com sentimentos, se nem mais o ser humano os possui, fico com minhas poesias – é mais seguro e menos estressante, sem contar que me remete mais felicidade e completude. Outro adjetivo que muitos associam aos poetas é “loucos”. Enfim, quem não o é? Todos acabam sendo passíveis e coniventes da loucura, enquanto na busca de seus ideais e ambições, muitos são os exemplos no mundo, infelizmente. O que fica é que de louco, todos somos um pouco.

Poeta é aquele que, sempre manuseando um pedaço de papel, faz questão de efetuar qualquer rabisco poético, como que por paixão ao ver o toque sublime da caneta no papel e a beleza por trás das palavras desenhadas, que se tornam mais do que tão somente isso. É bem fácil identificar um poeta em meio a vida cotidiana, sempre será o jovem do bar que pede uma caneta ao garçom e dá nova utilidade ao guardanapo ou a menina das festas que está sempre usando o bloco de notas do celular ou, ainda, a pessoa que anda sempre com um bloquinho de anotações, na boa companhia de um lápis, sempre no bolso, entre outros diversos, entretanto, raros, humanos...

No fim, a maior parte das pessoas que se fazem poetas, são as que amam e escrevem para um possível escape da alma, do coração ou somente porque não conseguem se conter, já que o amor é a livre entrega do ser. Nesse mérito, não me permito entrar, tanto pela temática do texto ser outra, quanto pelo meu apreço por “falar amor” ser grande. E a inspiração de tal poeta, claro, se encontra no olhar de uma pessoa.

Texto escrito por Italo Medeiros, Revisado por Bruna Porto.

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