Entrevista com Márcio Rabat: da Universidade de Coimbra para a Câmara dos Deputados


A turma 2002 e o professor Leonardo Almeida, no fim de maio, efetuaram a parte final de seu Projeto sobre profissões, o “Thinking About The Future”, que tinha por objetivo auxiliar os estudantes na transição do Ensino Médio para a universidade, com as perguntas que muitos se fazem nessa época. O que irão cursar? Que universidade escolherão? O que irão fazer talvez para o resto de suas vidas?

Foi para tirar todas essas dúvidas e tentar ajudar a todos que a turma 2002 e seu professor Leonardo Almeida, tomaram essa medida em suas aulas de PIG (Projeto de Integração Global). O evento contou com diversas palestras nas áreas de Humanas, Exatas, Médicas e Biológicas e também uma Palestra de Intercâmbio.

Poderia falar mais quanto a sua formação, sua carreira e suas experiências profissionais?

Bom, por conta do trabalho do meu pai no Banco do Brasil, já na escola eu tive um pouco da experiência de viver em outros países. Moramos na Argentina, Bolívia e em Portugal. Em Portugal, eu entrei na universidade, fui fazer o curso de direito em Coimbra, de lá até terminar, meus pais já tinham ido embora, até que eu voltei para o Brasil, em dezembro de 1989, e já no ano de 1990 eu fiz um concurso para um órgão da Câmara dos Deputados, que se chama Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados, é um órgão que tem muitas áreas de especialização: Educação, Energia, Direito, Saúde, eu fiz para a área de Ciências Políticas, que engloba mais Ciências Sociais no geral. Eu trabalho lá acerca de 20 anos, principalmente com questões de legalizar Partidos Políticos e Eleições, são os temas com que mais trabalho.

Como você acabou de colocar, nesse momento você trabalha na Câmara dos Deputados, como descreveria seu trabalho lá? E também, qual o reconhecimento que o mesmo lhe proporcionou?

O meu trabalho especificamente é auxiliar os deputados e também outros órgãos da Câmara dos Deputados na elaboração de leis. Então o que a gente faz, quando tem um tema que está na ordem do dia e que está sendo mais surtido, e que um deputado ou uma Comissão possa ter interesse nele, a gente começa a pesquisar sobre esse tema, elabora estudos sobre ele e ajuda depois na redação do próprio trabalho. Por exemplo, em 1987 foi feita a atual lei das eleições, eu trabalhei no processo de construir essa lei e em 2010, se não me engano, eu trabalhei na Comissão que resultou o Estatuto da Igualdade Social, foi um trabalho bastante interessante, de pesquisa e de elaboração legislativa. É um trabalho onde você tem a possibilidade de estudar, você aprende muito, é bem pago, mas é um trabalho um pouco de bastidores, para quem gosta mais de aparecer, ele tem uma certa limitação. Mas eu considero um trabalho gratificante.

Para você, que teve uma formação em uma universidade portuguesa, o que considera o diferencial, melhor ou pior, em relação as universidades brasileiras?

Eu diria que uma grande diferença é que nas universidades portuguesas as relações são muito mais formais, a relação do aluno com o professor é mais formalizada e distante, de cima para baixo, digamos assim. E nesse aspecto eu gosto mais da brasileira, pois a relação entre alunos e professores é mais informal. No entanto, eu não posso generalizar porque eu não conheço tantas universidades brasileiras assim, e ao mesmo tempo eu estou falando de uma universidade portuguesa em particular, que era uma universidade de ponta lá. Eu acho que lá, fica mais claro para o aluno desde o começo que vai ser exigido muito estudo e que se ele não estudar muito, ele não irá terminar o curso. Já aqui no Brasil, eu acho que isso se torna um pouco ambíguo e é importante saber que vai haver um nível de exigência forte de uma universidade.

Entrevista feita por Italo Medeiros, com revisão de Aline Santos.

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