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quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Como a reinauguração da obra “Guerra e Paz” de Portinari, na ONU, vira símbolo da crise dos refugiados

Quase 60 anos após a inauguração do mural Guerra e Paz na sede da ONU, em Nova Iorque, feito por Cândido Portinari, o painel formado por duas grandes telas a óleo sobre madeira será reinaugurado no hall da Assembléia Geral da organização, com a presença de seu filho, João Cândido.
"Em palestras, quando me perguntam se o quadro continua atual, mostro fotos do 11 de setembro, da guerra no Iraque e de outros conflitos atuais. Agora, tenho que incluir a foto no menino sírio morto em uma praia turca", diz João Cândido à BBC Brasil.
Ele conta que o painel que ressalta a guerra, feito por seu pai, não ilustra armas, tanques ou soldados, mas sim a abordagem de Portinari que consiste em mostrar o sofrimento do povo que vive em meio ao conflito e a guerra no dia a dia, o mesmo sofrimento que reflete aos olhos do filho do pintor atualmente, com relação às imagens recentes de refugiados buscando abrigo na Europa e em outros lugares do globo.
"Vou discursar na ONU sobre a urgência de construirmos uma nova humanidade. Quero que esta oportunidade de falar no palco mais nobre do mundo sirva para conclamar e conscientizar, porque é a nossa própria sobrevivência que está em jogo."


A obra Guerra e Paz realizou uma “turnê” pelo mundo , até voltar para a ONU. Passando pelas principais capitais do mundo, e até mesmo pelo Brasil, tendo sido exposta em Belo Horizonte, São Paulo e no Rio de Janeiro.
"Foi um milagre que permitiu realizar um sonho acalentado há muitos anos: que o público pudesse ver esta obra do meu pai. Ela fica em um local de segurança máxima onde é muito difícil ter acesso. Isso sempre me incomodou.", diz João Cândido. Esta meta foi objetivada com honra. Guerra e Paz foi visto por 360 mil pessoas nas cidades pelas quais passou.
Desde a volta da tela à ONU, grande foi a luta do filho do pintor quanto à reinauguração, principalmente desta, mas também de outras telas, que se encontravam armazenadas em um local da ONU. Após muitas reuniões e contatos com patrocinadores, finalmente foi alcançada uma data, o dia 8 deste mês, às vésperas da 70ª Assembléia Geral da ONU, que têm seu início para o dia 15.
Com isso, finalmente um projeto de 8 anos chegará em uma conclusão. Mas João Cândido, filho do pintor, revela um sonho que está fazendo se tornar um projeto posto em prática, ele gostaria que a obra fosse aberta à visitação.
"Ao menos uma vez por semana, em um horário limitado. A ONU tem estrutura de vigilância para lidar com isso. Se houver vontade política…", diz João Cândido.
"A missão brasileira está ajudando a viabilizar. Não posso prometer, mas estamos trabalhando muito para isso."

Fonte: BBC Brasil

Matéria feita por Italo Medeiros e revisada por Ana Maria.

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