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quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

A Sociedade que forma mais compradores do que pensadores



Sabe quando você olha e percebe que o tempo passa? Ou que a vida não é mais a mesma? Ou que nada é como antes?

Pois é, eu pensava que era só eu que frequentemente tinha esses questionamentos. O mais incomum é que eu tinha essas dúvidas em momentos e lugares extremamente inusitados. Como certa vez eu estava em uma loja avaliando roupas que seriam compradas para as festas de fim de ano, foi quando eu parei em frente a uma estante onde havia vários perfumes de origem internacional, havia as melhores fragrâncias francesas que eram incomparáveis às colônias brasileiras, então, eu olhava e percebia como o tempo passa rápido, um layout passou diante dos meus olhos enquanto eu observava a estante intercaladamente com as pessoas que passavam em minha volta, tão vazias e de certa forma gananciosas. Há quem diga o mal do ser humano é ter, e quanto mais se tem, mais ainda se quer.

O cartão de crédito foi uma das piores invenções do mundo, ele te faz criar a ilusão e uma certa zona de conforto, onde você acredita que pode comprar mais do que sua renda per capita dita, há quem diga ser uma criação revolucionária, eles não pensam como eu, a maioria não tem esse tipo de questionamento quase filosófico, isso é um agravante, que eu espero um dia reverter. A maioria das pessoas não pode pagar tudo o que compra, parte disso deve-se ao conflito de nossos governantes e a crise que nós vivemos, que aparenta não acabar tão cedo.

Às vezes o problema do ser humano é a esperança, ainda que seja o sentimento gerador que nos levará à dias melhores, como acreditamos ou esperamos, na maioria das vezes, essa esperança desencadeia um sentimento que poucos gostariam de sentir, a frustração. Muitos devem estar achando que isso é pessimismo de minha parte, não me levem a mal, é só que, devemos concordar nesse aspecto, a esperança abre vaga para diversos sentimentos habitarem, muitas vezes consigo compará-la à uma caixa de Pandora, onde segundo a Mitologia, libera diversos sentimentos desagradáveis, como a incerteza, o medo, a frustração e diversos outros, porém, entre mortos e feridos, sempre restará a esperança, e a legião de pessoas que acreditam em seu poder.

Muitas vezes paro e reparo, será que o Universo em que vivemos e a vida que levamos realmente são para nós? Será que quando vamos ao shopping e entramos em diversas lojas, tudo o que está ali é possível ser comprado dentro da realidade de todos? Com certeza não, é o que acredito, ainda que dependa da realidade das pessoas, da realidade social de cada um, é uma questão em aberto para a reflexão dos que leem. Se todos entrassem numa loja com o mesmo pensamento que representei acima, teríamos uma sociedade muito diferente, formaríamos questionadores, menos pessoas em nome da compra, do uso, e do capitalismo e mais em nome do senso crítico e dos que pensam, isso realmente é para mim? Eu realmente posso isso? Meu sonho é ver isso um dia, um grande "tapa na cara" de nossos governantes que na maioria dos momentos buscam nos controlar e nos fazer comprar cada dia mais, nos endividar cada dia mais, para que ao final, o celular do seu filho seja mais caro e melhor do que a educação e doutrina que ele possui.

Crônica por Italo Medeiros, Revisada por Aline Santos

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