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quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

"Só abra quando estiver realmente feliz" - João Marcos.


Meu pai foi um grande inventor, porém, por causa de suas invenções muito complexas e suas pesquisas intermináveis, ele se afastou de mim e de minha mãe quando eu ainda era pequeno e ficou afastado durante toda a minha vida, a única coisa que ele fazia pra se comunicar comigo era mandar cartas, sem endereço de remetente, sem cartão postal, em todas as cartas, sempre estava escrito : Tudo Isso passa” e nada mais. Em todas as cartas, durante toda a minha vida, nos meus momentos de angustia e tristeza, ele nunca estava aqui para me dizer nada, nunca estava aqui para me abraçar e dizer que iria ficar tudo bem,  nos meus momentos de alegria e méritos, ele nunca estava aqui para comemorar comigo, para me elogiar e dizer que estava orgulhoso, a única coisa que eu sabia dele era que ele era um inventor incrível e que ele sempre mandava cartas repetidas. Mesmo sabendo que a carta seria sempre a mesma, eu abria todas as cartas, sem nenhuma exceção, não sei por que eu fazia isso, talvez na esperança de em alguma dessas cartas estar escrito alguma coisa, ou quem sabe ele falar que estava voltando, eu não sei exatamente o que eu esperava abrindo todas aquelas cartas, mas nunca deixei de ler nenhuma delas, os anos se passaram, muitas cartas foram lidas, minha vida mudou várias vezes e finalmente fiz dezoito anos. No dia que fiz dezoito anos, assim como em todos os meus aniversários, eu fiquei na porta de casa esperando a carta chegar, mas dessa vez o carteiro não entregou uma carta, entregou um pacote, eu assinei e peguei o pacote, antes de abri-lo, notei que havia um bilhete dobrado na parte superior do pacote e lá estava escrito:

“Olá filho, finalmente dezoito anos, é uma data muito importante e eu não poderia esquecer, bem... Sei que não fui o melhor pai do mundo, nem o mais presente, nem o que mais demonstrou carinho, mas saiba que eu sempre te amei, desde o dia em que vi você nascer e continuarei te amando. Mais uma vez, parabéns pelos seus grandiosos dezoito anos. Filho, neste pacote, está o seu presente, mas você só irá poder abrir este pacote quando estiver no momento mais triste da sua vida.”

Finalmente depois de dezoito anos ele me mandou uma carta diferente, depois de dezoito anos ele me mandou uma carta diferente, eu deveria estar com raiva dele, deveria estar bravo por ele ter feito aquilo, mas a sensação de alegria tomou conta de mim, a alegria de finalmente receber um texto do meu pai era incrível, mas depois disso meu pai voltou a mandar as cartas repetidas"Tudo Isso passa”.

Quando eu tinha vinte e cinco anos, tudo na minha vida começou a dar errado, eu perdi meu emprego, minha esposa me traiu, fui assaltado na rua e cheguei em casa totalmente acabado, naquele momento, pensei seriamente em me matar, preparei tudo, pendurei a corda no teto, subi em um banco, amarrei a corda no pescoço, quando eu iria pular, me lembrei do meu aniversário de dezoito anos e do pacote que meu pai havia me deixado, tirei a corda do pescoço, tirei o pacote de cima do guarda-roupas, ele estava cheio de poeira, mas então eu abri, dentro do pacote havia uma carta que falava:“Não desanime, tudo isso passa” caderno que estava escrito, “Minhas mais incríveis invenções”, então comecei a desfolhar o livro e todas as invenções eram coisas inacreditáveis, quando percebi, já tinha lido todas as páginas do caderno, na última folha, estava escrito ”Construa e faça funcionar” e foi aí que começou a minha carreira de “inventor” grandioso, a todo projeto que eu construía, era sucesso em todos os aspectos, comecei a ficar famoso e ser reconhecido em todos os eventos científicos graças a todos os projetos do meu pai, no meu aniversário de vinte e sete anos, recebi uma carta dizendo: “Só abra no momento mais feliz da sua vida”, respeitei a ordem, continuei a minha vida normalmente, realizando os projetos do meu pai, ficando cada vez mais rico e famoso, até que aos meus trinta anos, eu já era considerado uma das mentes mais brilhantes de todos os tempos, quando eu completei trinta e cinco anos, cheguei ao meu auge, tudo que eu queria e sonhava eu consegui ter, então resolvi abrir a carta do meu pai, porém, desta vez, não tinha uma frase sequer, apenas um endereço, confesso que aquilo me surpreendeu e aumentou ainda mais minha expectativa, será que era outro livro de projetos? Será que era um oficina gigantesca que meu pai havia criado? Será que era a casa que meu pai estaria vivendo agora? Eu não fazia ideia do que esperar, entrei dentro do meu carro e fui acelerando ao máximo até chegar ao endereço, quando vi o que era, achei bem decepcionante, era uma casa de madeia caindo aos pedaços, aquela casa parecia ter sido abandonada a muito tempo, pois estava totalmente acabada, resolvi entrar, assim que empurrei a porta, a porta caiu, a casa já não tinha interruptores, mesmo se tivesse, eu não teria coragem de tentar ligá-los, apenas um buraco no teto emanava luz solar, que iluminava uma pequena mesa, na mesma, havia uma placa e uma carta, cheguei mais perto da mesa e a placa fazia uma pergunta: “Tem certeza que este é o momento mais feliz da sua vida?”, pensar com arrogância foi inevitável naquele momento, pensei: “É lógico que esse é o momento mais feliz da minha vida, sou conhecido mundialmente, prestigiado em todo lugar que vou, sou rico e considerado uma das pessoas mais incríveis de todos os tempos, é lógico que é o momento mais feliz da minha vida.”, foi quando abri a carta e nela estava escrito:“Isso também passa”. 

Escrito por João Marcos.

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