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terça-feira, 5 de outubro de 2021

O Talibã e a Crise Humanitária no Afeganistão



 O grupo fundamentalista islâmico Talibã tem sido muito comentado nas redes sociais nos últimos meses, após a tomada de poder pelo grupo do Governo Afegão. Mas...você sabe quem eles são? Quando surgiram ou o que pregam?


Quando surgiram: 
Para explicarmos como eles surgiram, precisamos voltar na década de 70, durante a guerra fria, quando os EUA e a URSS disputavam para ver quem era a potência mais desenvolvida. O Afeganistão, ao Norte, fazia fronteira com a URSS e ao oeste, com o Irã.
Em 1978, um partido afegão (PDPA) que tinha ideologias semelhantes ao comunismo e era apoiado pela União Soviética, temia que a Revolução Islâmica do Irã (que transformou o país em uma República Teocrática Islâmica) chegasse até o país e organizou um golpe militar que impediu a construção de novas mesquitas e baniu as vestimentas tradicionais islâmicas. O PDPA prendeu, torturou e matou políticos opositores, tornando o Afeganistão uma nação unipartidária. O partido criou fortes laços econômicos e sociais com a União Soviética, que invadiu o país em 1979. Em resposta o governo norte-americano, através da CIA, criou a "Operação Ciclone" e com ela, financiou e armou soldados de grupos rebeldes muçulmanos que eram contra a intervenção soviética, como os Mujahedins, que eram a favor de um estado teocrático islâmico. E, finalmente, em 1988 o exército soviético retirou suas tropas do Afeganistão. Porém, após a retirada soviética muitos desses grupos de resistência muçulmana, por serem de doutrinas diferentes, começaram a lutar entre si, dando início a uma guerra civil. Em 1994, um grupo de ex-combatentes sunitas do grupo Mujahedins, insatisfeitos com a situação do país, formaram o Talibã. Apenas dois anos depois, em 1996, o Talibã invadiu a capital afegã e assassinou publicamente o presidente, tomando o controle do Estado. 

Mas, afinal...quem eles são?
O Talibã é um grupo fundamentalista islâmico que usa uma interpretação radical e extremista da lei islâmica. Controlando a maior parte do país, o Talibã proibiu que mulheres trabalhassem ou estudassem, permitindo apenas que ficassem confinadas em casa. Era obrigatório o uso de burca cobrindo todo o corpo. Elas também era proibidas de sair na rua, apenas poderiam sair se estivessem acompanhadas de um homem, e se fossem acusadas de adultério, eram apedrejadas até a morte em público. O Talibã destruiu artefatos culturais, proibiu músicas, filmes, livros e televisão. O grupo ordenou até mesmo a queima da Biblioteca Central de Cabul em 1998. Açoitamentos, amputações e execuções públicas eram comuns durante o governo do Talibã. 
O início da queda do Talibã ocorreu depois dos eventos do 11 de setembro. Na época, os norte-americanos acusaram o grupo de dar refúgio e esconder membros da Al-Qaeda (responsáveis pelo atendado às Torres Gêmeas), além de permitir que usassem o Afeganistão como base de operações para atividades terroristas.
George W. Bush, presidente dos EUA na época, disse: "Não faremos distinção entre os terroristas que cometeram esses atos e aqueles que os protegem [...] ou vocês estão do nosso lado ou estão do lado dos terroristas". E assim, em 2001, dava-se início à Guerra ao Terror.
As forças dos Estados Unidos conseguiram derrubar o regime Talibã e instalar um governo liderado por Hamid Karzai. Em 29 de fevereiro de 2020, os Estados Unidos e o Talibã assinaram um acordo "para trazer paz". No dia 30 de agosto de 2021, após quase 20 anos no Afeganistão, as tropas americanas finalmente deixaram o país. Porém, em maio de 2021, os talibãs iniciaram uma ofensiva generalizada contra o governo afegão. Em 15 de agosto desse ano, o Talibã dominou a capital, Cabul, e derrubou o governo do então presidente Ashraf Ghani, que fugiu para os Emirados Árabes. Com a retomada de poder pelo grupo, milhares de Afegãos fugiram do país, desencadeando uma crise humanitária enorme. Os civis, principalmente mulheres, que ficaram estão com medo da volta do mesmo regime extremista de 20 anos atrás.

Repórter: Luísa Cuerci
Redigido por: Júlia Muniz

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