Dirigido por Walter Salles, o longa-metragem "Ainda Estou Aqui" reúne um elenco de peso, com nomes como Fernanda Torres, Fernanda Montenegro, Selton Mello e Marjorie Estiano, entre outros. Desde sua estreia, em 7 de novembro de 2024, o filme já atraiu mais de 5 milhões de espectadores no Brasil, consolidando-se como a terceira maior bilheteria nacional desde 2018. Baseado no livro homônimo, a produção mergulha em um dos capítulos mais sombrios da história recente do país: o desaparecimento do ex-deputado federal Rubens Beyrodt Paiva durante a ditadura militar.


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O que retrata "Ainda Estou Aqui"?

O filme reconstrói os eventos ocorridos em 20 de janeiro de 1971, quando Rubens Beyrodt Paiva foi preso por agentes do DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna) e desapareceu sem deixar vestígios. A trama, no entanto, vai além da violência do regime militar, focando na resistência e na luta de sua família, especialmente de sua esposa, Eunice Paiva. Ela se tornou um símbolo de força ao enfrentar o aparato repressivo do Estado em busca de justiça e ao manter a união familiar em meio ao caos.

Walter Salles opta por uma narrativa que privilegia a perspectiva humana, destacando o impacto emocional e social da ditadura sobre aqueles que resistiram à opressão. Em vez de se concentrar apenas nas brutalidades do período, o diretor constrói um retrato sensível e envolvente da luta de Eunice e de seus filhos para reconstruir suas vidas após a tragédia.

A morte de Rubens Beyrodt Paiva

A prisão de Rubens Beyrodt Paiva ocorreu após militares encontrarem cartas de exilados políticos do Chile endereçadas a ele. Levado ao DOI-Codi para prestar depoimento, o ex-deputado foi submetido a sessões de tortura que resultaram em sua morte. Sua família nunca mais o viu. No dia seguinte à prisão de Rubens, sua esposa, Eunice, e sua filha Eliane, então com apenas 15 anos, também foram detidas. A adolescente foi liberada após 24 horas, mas Eunice permaneceu presa por 12 dias.

O testemunho do médico-psicanalista Amílcar Lobo, que atuou como colaborador do regime, confirmou que a morte de Rubens foi causada por ferimentos decorrentes das torturas. Anos depois, em 23 de fevereiro de 1996, a certidão de óbito de Rubens foi corrigida, reconhecendo oficialmente que sua morte foi "violentamente causada pelo Estado brasileiro". Eunice só recebeu a declaração de óbito do marido após uma longa batalha judicial, marcando um raro momento de reconhecimento estatal sobre os crimes cometidos durante a ditadura.

Impacto e relevância

"Ainda Estou Aqui" não apenas revive uma história real de dor e resistência, mas também serve como um lembrete poderoso sobre a importância de preservar a memória e buscar justiça. Com uma narrativa emocionante e performances marcantes, o filme já se tornou um marco no cinema nacional, conquistando tanto o público quanto a crítica. Sua bilheteria expressiva e sua abordagem sensível garantem que a história de Rubens Beyrodt Paiva e de sua família continue a ecoar, inspirando reflexões sobre um período que não pode ser esquecido.

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